Lucinei Antonio Pereira

Localização Rua Principal, bairro Limpo Grande - Varzea Grande/MT - CEP 78116-124
Contatos AbrirFechar
E-mail tarcisiossantossmega@hotmail.com
Telefone (65) 99923-7124

Utilize o formulário abaixo para entrar em contato com este membro da Rede Artesol.

Enviando mensagem. Por favor aguarde.
Sua mensagem foi enviada! Aguarde o retorno do membro da rede contactado, ou fale com a Artesol.
Infelizmente ocorreu um erro no envio da sua mensagem. Por favor utilize uma das formas de contato acima.
O preenchimento do campo mensagem é obrigatório.

As mãos que criam, criam o que? 

A tecelagem artesanal cuiabana é uma tradição milenar, com origem em técnicas indígenas. Acredita-se que remonta ao povo Guaná, originário das Guianas, exímios na confecção de redes e outras artes. Contam que desfiavam o algodão para fazer a linha e fiavam à mão. O costume de descansar e dormir em redes foi transmitido durante a guerra do Paraguai, há mais de cem anos, aos soldados que se enfrentavam em Mato Grosso e as usavam para o descanso. A peça utilitária virou tradição e atravessa o tempo. Um trabalho de muita paciência. Leva-se um mês intenso de dedicação, ou mais, para concluir uma rede. Muitas etapas e um alto grau de dificuldade. Conserva a técnica do tear vertical com fios de algodão, preservada há mais de quatro gerações. Um dos raros casos de redes produzidas inteiramente em teares manuais. 

Quem cria?    

Mestra e tecelã, Lucinei António Pereira começou nessa arte com 14 anos, ensinada pela mãe, que aprendeu com mamãe dela. Desde criança viu e viveu na família em meio a produção das redes: “Coisas que ficaram na memória”. Com quase 40 dedicados ao artesanato, é reconhecida como mestra de ofício pelo PAB (Programa do Artesanato Brasileiro) através do projeto Mestres da Arte e do Artesanato. Toda sua produção é comercializada através da Casa de Arte e Cultura de Varzea Grande, onde é contratada para transmitir esse saber através de cursos e também produção das peças. Onde meninas aprendem a tramar os fios em tear com desenhos vibrantes com o compromisso de salvaguardar essa memória e importante patrimônio brasileiro. Sentadas por horas no chão, tecem redes enormes que consomem trinta novelos de linha para ficar pronta. “Mas a tradição está se perdendo, as jovens não querem mais aprender, estão indo para a cidade trabalhar com outras coisas” alerta Lucinei. Tamanho trabalho é proporcional à dificuldade que se tem em comercializar as redes. Um desestímulo às novas gerações que, embora tenham aprendido o ofício, não se interessam em dar continuidade.  

Onde criam?

Localizado entre os biomas Cerrado, Pantanal e Floresta Amazônica, o município de Várzea Grande, em Mato Grosso, faz divisa com a cidade de Cuiabá. Surgiu em 1832 quando o governo imperial doou um pedaço de terra a tribo indígena Guanás, índios considerados mansos pelos portugueses e hábeis canoeiros e pescadores para que fossem cultivadas. Foram precursores da atividade econômica e manual da região com a confecção de redes consideradas grosseiras e a produção de cerâmica. Possuíam como base, o comércio de troca e o cultivo da terra nos séculos XIX e XX. Considerado ponto estratégico durante a Guerra do Paraguai, em 1867 foi fundado um acampamento militar.

E é no desconhecido bairro rural de Limpo Grande, de pouco mais de cem habitantes, a 23 km de Várzea Grande que se resguarda esse fazer, e que se mantém exclusivamente nessa região. A distância fez com que esta comunidade reunisse um número significativo de pessoas trabalhando em casa, simultaneamente às atividades do lar. As redes cuiabanas são parte dessa memória, um importante patrimônio brasileiro. Em plena revolução digital, difícil acreditar que ainda tenham que driblar barreiras de acesso e de divulgação para a salvaguarda dessa arte.

Fonte: Projeto Mestres da Arte e do Artesanato  / MT Gov / Globo / Youtube / Casa e Jardim