Mestre Raimundo Batista de Oliveira

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As mãos que criam, criam o que?

Em todas as cidades por onde passou com sua família, Raimundo viveu nas encostas dos morros. E essas paisagens o impressionavam e o inspiraram a entalhar na madeira a beleza que via.

“Tem pessoas que olham a favela com um olhar diferente. Eu já olho a favela com um olhar de admiração. As comunidades que são unidas. As vielas que têm na favela são estreitas e as pessoas estão muito próximas e por isso são bem unidas”. 

As esculturas em madeira de Raimundo retratam esse universo das comunidades periféricas urbanas, marcadas visualmente pela sobreposição de casas coloridas. Desde as janelas de Raimundo, se pode ver pessoas que se debruçam para olhar a cidade. 

Quem cria?

Raimundo Batista de Oliveira, conhecido como Raimundo das Favelas, nasceu na comunidade rural de Alto Cruzeiro, município de Lagoa da Canoa, região central do estado de Alagoas. Aos 12 anos de idade, seu pai faleceu e sua mãe decidiu ir para Aracaju, capital do estado de Sergipe, e depois seguiu para a cidade de São Paulo, em busca de oportunidades de trabalho.

Em São Paulo, onde viveu até os seus 20 anos, Raimundo trabalhou em uma fábrica de calçados, onde aproveitava o resto do material de madeira, que era descartado, para fazer peças pequenas de artesanato que vendia em uma feira em frente ao Museu do Ipiranga. Já nessa época, tinha um caderno com rabiscos que lhe inspiraram a ser artista. Quando seu pai era vivo, e ele aprendia a cultivar a terra, os acompanhando à roça, gostava de dedicar seu tempo livre à fabricação dos seus próprios brinquedos. 

Depois de um tempo na metrópole paulistana, a família de Raimundo se mudou para o interior do estado. E quando sua irmã se casou com um moço de Itatiaia, estado do Rio de Janeiro, a família se mudou novamente. Quando retornou para Lagoa da Canoa, em Alagoas, passou a reciclar garrafas de água sanitária que transformava em máscaras carnavalescas que vendia na cidade de Arapiraca. 

Foi assim que conheceu o escultor, poeta e historiador Zezito Guedes, um importante e conhecido artista paraibano que viveu em Arapiraca por muitos anos. Mestre Zezito disse a Raimundo que ele seria artista. O visitou em Lagoa da Canoa e esse foi o começo de uma bela amizade. Raimundo decidiu voltar a criar a partir da madeira e se inspirou nas experiências que teve nos lugares onde viveu.

“Quando a gente planta um pé de fruta a gente espera que dê frutos. Tudo o que a gente sabe e faz tem que ser compartilhado com os outros, também”.

Onde cria?

Lagoa da Canoa é uma cidade do agreste alagoano, situada a 150 km da capital, Maceió, próxima de Arapiraca. A cidade surgiu às margens de uma pequena lagoa, em 1842, quando dois casais chegaram à região e decidiram construir suas vidas ali, plantando e criando gado. 

Outras famílias, anos depois, também começaram a construir no local - já conhecido como Lagoa da Canoa - nome que se originou devido aos antigos moradores que pescavam de canoa na região.