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Tipologias

Brinquedos

Costurando a Boneca Esperança

O brinquedo popular se diferencia de algumas exigências que regem o brinquedo industrial, e esta adequação foi sendo feita pelas ações do ArteSol sem alterar o uso de materiais ou interferir na criatividade do artesão e de seus aprendizes.

O brinquedo é o objeto com o qual se realiza o jogo, o entretenimento. Como consequência do deslocamento do pólo consumidor, nota-se também uma mudança: cada vez mais evidencia-se a intenção de destinar os objetos ao uso decorativo, fazendo com que a denominação “brinquedo” se torne um termo nativo não referido ao universo lúdico, mas sim uma categoria que se aplica a objetos de decoração, como móbiles e quadros para parede.

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Cerâmica

A cerâmica popular é o mais antigo e difundido dos ofícios. Resulta da mais primitiva experiência de transformação física e química feita pelo homem. Através dessa arte, o homem vem projetando o que de mais belo sabe fazer e vem suprindo, milenarmente, muitas das necessidades vitais que o tornam um ser social: armazenar o transportar água, preparar o alimento, honrar os mortos e os deuses, ou simplesmente satisfazer suas carências lúdicas.

Esta tipologia é depositária de traços culturais das etnias que aqui conviveram. Preexistiu ao branco colonizador, como parte da cultura indígena, e dela ainda hoje estão em uso os elementos que herdou: os pigmentos para pintura, a técnica da modelagem através do roletado, o uso da cuia como instrumento de trabalho, a queima ao ar livre, as soluções plásticas despojadas e belas.

O barro para cerâmica é extraído das lagoas, dos rios, riachos e serras. Com ele, os artesãos modelam potes, panelas, moringas, pratos, enfeites. Todas as peças fazem parte do cotidiano. Para estes artesãos, o barro tem a propriedade de determinar o próprio horizonte de suas vidas: eles estão cercados pela terra, a terra para plantar, o barro para modelar, para a construção de moradias, tijolos e telhas. No trabalho da cerâmica, ele sintetiza os elementos vitais: a terra (o barro), a água (para modelar), o ar (para secar) e o fogo (para queimar e transformar).

Por isso o ceramista popular desenvolve o seu próprio saber. Ele não depende dos recursos mais sofisticados da tecnologia de ponta: tem a sua própria sabedoria e perfeição.

A forma do objeto é sempre característica de cada região e traz a marca do seu solo de origem. As peças figurativas originam-se nas crenças religiosas, nas tradições populares, nas cenas da vida cotidiana e incorporam influências herdadas tanto da cultura indígena, como dos colonizadores portugueses e povos africanos. Para criar os mais variados desenhos, as mulheres usam casca da jurema ou do murici, de onde extraem um corante cozido em água durante vários dias. A queima ocorre por técnicas variadas. A mais comum realiza-se em fornos rústicos circulares, de tijolos, cobertos na parte superior e com uma só boca para alimentar o fogo.

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Entalhe em Madeira

Nesta tipologia incluem-se as peças que nascem dos pedaços de madeira, caprichosamente trabalhadas pelos artesãos. A madeira é trabalhada dando forma a rostos e corpos de santos, pessoas e animais além de peças para o uso cotidiano.

As ferramentas utilizadas são aquelas comuns ao ofício da marcenaria encontrado nos mais diferentes pontos do país: primeiro, com machado e serrote, fazem-se o corte do tronco ou galho escolhido e os primeiros desbastes que dão conformidade à peça. A seguir, com enxó, facão, goiva, alegre, formão e facas menores, realizam-se o desbaste e o entalhe propriamente dito. Na maioria das vezes e em função do objeto a ser feito, prescinde-se de risco ou modelo: a prática do artesão determina os cortes a serem executados na madeira. Em outras ocasiões, a forma é definida previamente, sendo a peça de madeira riscada com lápis ou caneta ou mesmo marcada com compasso. O acabamento é dado pelo polimento com lixa d´água.

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Instrumentos Musicais

Viola-de-Cocho

A preservação desse bem está diretamente relacionada à transmissão da tradição artesanal e musical, à preservação da capacidade humana de apreender e apreciar musicalidades diversas e alternativas, mas compatíveis com o mercado de música popular; à difusão, por vários meios, de seu valor cultural; e também ao desenvolvimento e democratização de meios de preservação do patrimônio ambiental.

O estímulo à manutenção e continuidade dessas manifestações populares, particularmente dos saberes artesanais envolvidos na construção de instrumentos musicais tradicionais, passa pelo reconhecimento e valorização de seus agentes culturais por meio ao acesso a melhores condições de produção e, também, pela difusão e repasse desses conhecimentos às novas gerações.

A matéria-prima dos instrumentos musicais tradicionais vem essencialmente da natureza. A Viola-de-Cocho, por exemplo, é um instrumento típico do complexo do pantanal. Por mais de dois séculos teve um papel importantíssimo no cotidiano das pessoas, tanto como entretenimento e como objeto de louvação.

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Rendas e Bordados

O feitio da renda

A RENDA é um tecido construído e estruturado pela própria rendeira. Nela, os motivos do desenho são feitos à medida que a rendeira produz o fundo que estrutura o tecido.

  • Filé (Salgado de São Félix, Paraíba)

Esta técnica milenar encontra-se difundida sobretudo nos estados de Alagoas e Ceará. O filé surge a partir de uma rede simples, composta de malhas e de nós, e por isso é também denominado “rede de nó”, seguindo a técnica de confecção da rede de pescador, que lhe serve de inspiração.

  • Renascença (Jataúba, Pernambuco)

A renda renascença é uma técnica têxtil que teve sua origem na ilha de Burano, em Veneza, Itália, no século XVI. É confeccionada com agulha, linha e lacê de algodão. Em uma primeira etapa, faz-se o desenho sobre papel, que é preso sobre a almofada. O lacê é então afixado sobre o papel com a ajuda de alfinetes e entremeado pelos diferentes pontos da renda. Cada ponto é nominado segundo elementos da natureza, comidas, ou expressam na renda sentimentos e esperanças de quem os criou: aranha, abacaxi, traça, cocada, xerém, amor seguro, laço, sianinha, malha e amarrado.

  • Irlandesa (Divina Pastora, Sergipe)

A renda irlandesa, ou ponto de Irlanda, surgiu na Europa, possivelmente no norte da Itália, em torno dos séculos XVI ou XVII. Sua tradição foi mantida nos conventos da Irlanda, de onde se difundiu para diversas partes do mundo. No Brasil, este tipo de renda é executado há várias gerações pelas artesãs sergipanas de Divina Pastora, fazendo parte do seu patrimônio cultural. Caracteriza-se pelo uso de lacê, um cordão sedoso o que a diferencia da renda renascença. É elaborada com linha e agulha que, seguindo o roteiro de desenhos feitos em papel grosso e que é preso em almofada, perpassam os meandros e os florões delineados com o lacê, formando assim uma variada combinação de pontos.

 

Bordado – A desconstrução e ornamentação do tecido

 

Bordado de Entremontes

O BORDADO é um trabalho de ornamentação feito com agulha sobre um tecido que lhe serve como suporte. Todo o trabalho, executado sobre tecido desfiado, do qual se retiram fios da trama ou do urdume, é considerado bordado, pois os fios que permanecem servem de suporte para a ornamentação.

  • Redendê (Entremontes, Alagoas, Poço Redondo e Porto da Folha, Sergipe)

A “renda de dedo” ou redendê é uma herança portuguesa que se estabelece nas comunidades ribeirinhas do Rio São Francisco, provavelmente em torno do século XVIII. Com linha, agulha, bastidores, as mulheres bordam sobre o linho, criando desenhos geométricos com nomes variados. Para que surjam os desenhos, é preciso a contagem paciente dos pontos a partir dos fios do tecido. Depois de bordado, o tecido de linho, preso em um bastidor, é então desconstruído com a ajuda de tesoura, que retira o centro do bordado e acrescenta o vazado ao redendê.

  • Boa noite (Ilha do Ferro, Alagoas)

Uma variação do redendê, o boa noite é uma reinvenção peculiar das bordadeiras de Ilha do Ferro, comunidade ribeirinha do Rio São Francisco. As flores nativas desta localidade, especialmente a flor denominada boa-noite, servem de inspiração para os bordados aplicados sobre os fios desfiados do linho.

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Tecelagem

No Brasil ainda encontramos duas maneiras tradicionais de fiar: com roca ou fuso, ou , mais rudimentarmente, como fazem os índios, colocando o algodão (ou outra fibra) num varão perpendicular encostado numa parede e ali a mecha de fibra presa para ser fiada.

Neste tipo de fiar, a fianderia vai pegando as fibras finas, juntando-as, e com uma primeira torcida do polegar e indicador vai fazendo “crescer” o fio. À medida que este vai crescendo, é enrolado num fuso, girado rapidamente pela fiandeira que, usando polegar, indicador e médio aplicados na ponta superior (do fuso), imprime-lhe rotação da esquerda para a direita, rodando-o como um pião preso ao fio que vai torcendo, cochando, e no corpo (haste do fuso) vai enrolando (o fio pronto), formando a maçaroca. Da maçaroca o fio é tirado e enrolado em novelo, pronto assim para o trabalho a ser feito.

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Trançado e Cestaria

A arte de trançar é encontrada entre os povos pré-letrados. Os ameríndios faziam vários tipos de cestas, sendo o trançado conhecido por várias tribos brasileiras.

Possivelmente as variações e tipos da cestaria se dêem graças às influências geográficas, tipo de material disponível e principalmente de acordo com o que vai ser transportado. A função estará de acordo com o maior ou menor espaço entre as talas do trançado.

A cestaria é um dos artesanatos mais difundidos e praticados no Brasil graças à abundância do bambu, que de acordo com a sua grossura, é chamado taquaruçu, taquara, taquara-poca, taquari, taboca. Outras fibras também são utilizadas, como a fibra de bananeira.

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Artesanato Variado

Em artesanato variado, estão englobadas peças que são feitas de materiais diversos, como vidro, tecidos, frutas e couro. Estão inseridas nesta categoria as xilogravuras, as cuias de Santarém, o artesanato de Juazeiro do Norte com as igrejas feitas de vidro, os bordados de boi-bumbá, bijuterias, dentre outras peças.

Alguns modos-do-fazer de peças desta tipologia são originárias de povos do ocidente, como por exemplo, a xilogravura; outras são advindas dos povos indígenas, como as cuias de Santarém.

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Referências Bibliográficas:

ARAÚJO, Alceu Maynard. Cultura Popular Brasileira. 2º ed. São Paulo. Martins Fontes, 2007.

BAHIA, Secretaria do Trabalho e Ação Social. Instituto de Artesanato Visconde de Mauá, Cerâmica Popular. Salvador, Instituto Mauá, 1994.

O brinquedo que vem do norte / pesquisa e texto de Luciana Gonçalves de Carvalho e Ricardo Gomes Lima. Rio de Janeiro. Funarte, CNFCP, 2002.

Os gameleiros de Bom Sucesso / pesquisa e texto de Ricardo Gomes Lima. Rio de Janeiro. Funarte, CNFCP, 2002.

Sons de couro e cordas: instrumentos musicais tradicionais de São Francisco, MG / pesquisa e texto de Edilberto Fonseca e Wagner Chaves. Rio de Janeiro. IPHAN, CNFCP, 2005.

Viola-de-cocho pantaneira / texto de Letícia Martins Dias e Letícia Vianna. Rio de Janeiro. Funarte, CNFCP, 2003.

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